Impensadamente Sonhado

Meu livro de poesias…
Meu livro de poesias…
Joana Rolim, 1986
Excertos de “O Beco Faz de Conta” – Dramaturgia.

O “Ser” usa o sensório como termômetro de vontades, e não adianta tentar esconder sentimentos, porque sentir é sonhar e todo sonho é real. A vontade não acaba por decurso de prazo, permanece até o momento de se tornar matéria.

Nos idos de 86, Joana não podia saber da realidade do agora, mas, preconizou, na voz dum personagem por ela criado, o que queria, e ora concretiza.

Uniu vontade ao sonho e os transformou em coragem. Desapareceram do vocabulário da dramaturga, medos, limites e surgiu a poetisa verdade. Essa nova aventura levou-a, dentre experiências, a narrar fatos da vida, escrevendo poemas de situações amorosas, que muita gente não tem a menor noção de como, ou por que acontece. Durante a leitura, encontrei um poema pra mim e sobrará um para qualquer pessoa que ame.

Este é um livro gostoso de ler, gostoso como tudo que ruboriza; gostoso como todo pecado que não tem um Deus; gostoso como morder de lábios, gostoso como língua que, insaciável…, se mexe para dizer poesia.

Assim é a vida para quem tem coragem de vivê-la. A vida é um livro de poesias, impensadamente sonhado.

Contudo, se durante o deleite você notar que ruboriza, mas não conseguir parar de ler, reveja seus conceitos; medos; posições pecaminosas; limites, enfim, quais as verdades… de sua vida.

Olinto A. Simões